O Novo Luxo: quando a ética ambiental e humana é fundamental

A roupa indubitavelmente surgiu para proteger. Do frio, do calor, do vento, das intempéries. Mas o homem é complexo e isso não lhe bastou. A função não era o único papel que a roupa iria desempenhar.


Enfeitar, diferenciar, ostentar.


Esses papéis foram evoluindo ao longo das civilizações e muito da história da humanidade pode ser contado através do vestuário. As indumentárias da Antiguidade delimitavam os estratos sociais, e o poder dos reis e de suas cortes era medido pelas suas vestimentas. Com o mercantilismo, o capital que se transferia para a burguesia era marcado pelos trajes que ela buscava imitar dos nobres. Estes, por sua vez, mudavam suas modas assim que percebiam a imitação.


Desta forma, o jogo do imitar e diferenciar, passou a ser uma tradução da Moda: “quero pertencer a determinado grupo” ou “não quero pertencer a determinado grupo”.

Mesmo que os mecanismos da Moda tenham evoluído e se tornado mais complexos, que os movimentos de trickle down (quando as tendências vêm de cima, do topo da pirâmide) já não prevaleçam, a roupa ainda continua sendo uma forma de comunicação e identificação.


A Moda passou a agir de forma mais horizontal, já que as classes do topo da pirâmide passaram a não mais ditar o que está ou não na Moda.


No aspecto particular do luxo, historicamente ele era exclusivo das classes que estavam no topo da pirâmide. Com a globalização e ampliação do mercado, houve um movimento de “democratização” e os produtos de luxo passaram a ser, senão mais acessíveis, pelo menos mais conhecidos. Marcas como Louis Vuitton, Gucci e Rolex deixaram de ser mencionadas apenas nas rodas das “elites” para terem suas falsificações distribuídas em todos os cantos do mundo.


O luxo, no entanto, é uma sofisticação cultural, uma forma que as sociedades têm de revelar o que têm de bom, como elas se manifestam em determinado campo. Moda é um fenômeno sociológico, portanto, tem grande validade para esboçar os contornos de uma sociedade.

Alguns parâmetros do esplendor ostentatório do luxo foram se modificando e dando lugar a uma nova percepção que busca maneiras de se afastar do modelo desatualizado de consumo de massa. Máscaras de ilusão e campanhas milionárias criam valores de luxo em objetos que têm alto valor e reconhecimento, mas que são feitos em escalas industriais e, por vezes, em condições precárias e desumanas.


Surge, então, um novo luxo para dar conta de reais necessidades de um consumidor que não se adapta ao sistema (da Moda) que lhe é oferecido: quer revigorá-lo, quer novos significados.


O novo luxo elimina a ostentação e superfluidade e não se limita ao design nem à função. Trata de valores que englobam a totalidade de um objeto cultural que carrega em si o privilégio de recursos não materiais como o tempo, engenhosidade, paixão e ética.


Busca vínculos para reais identificações.


Busca a sustentabilidade na ênfase no artesanato real, na exclusividade verdadeira, na escolha consciente de matérias primas e na vida longa dos produtos.


E, acima de tudo, a prioridade da sutileza sobre a ostentação.

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