Outras lógicas são possíveis


Desde que nos entendemos como gente, aprendemos que o princípio fundamental de uma empresa, no modelo econômico atual, é a da economia do crescimento, da maximização dos ganhos. Essa é a motivação que dirige o comportamento da organização e de todos que dela participam. As práticas em geral são as de reduzir custos a fim de aumentar as vendas. Os valores monetários acabam superando os valores ambientais e sociais e nessa lógica de “desenvolvimento”, o caminho mais barato acaba sendo a escolha primeira. Sempre que possível, os custos da realização de um negócio são efetivamente repassados para o resto da sociedade. Custos sociais e ambientais.


Além do uso abusivo dos recursos sócio ambientais, há o aumento da velocidade das operações, que nada mais é do que um mecanismo pelo qual se alcança o crescimento. Essa economia competitiva alimenta a adoção de tecnologias e práticas que empurram pessoas e recursos naturais para além dos limites toleráveis. Nessa lógica, as escolhas mais sustentáveis, que têm consequências sobre o preço final do produto, acabam sendo desconsideradas, mesmo que no futuro possam ser as mais viáveis.


No entanto, com a evolução da sociedade e da própria economia, surgem novas formas de se pensar sobre o que realmente significa crescer, ou ser grande. Com a sustentabilidade sendo uma pauta sempre presente, um conjunto mais amplo de valores começa a ser apreendido por uma maior parcela de empreendedores que percebem sua responsabilidade perante a sociedade e o meio ambiente. São novas mentalidades em empresas que entendem que sua atuação no cenário competitivo do mundo dos negócios pode ser exercida de forma diferente.


Os primeiros passos dados em direção ao aumento da eficiência no uso dos recursos e da implementação de boas práticas laborais, bem como a busca da cultura da eficiência são fundamentais, mas ainda não dão conta do problema como um todo.


Ao longo do tempo, os valores pessoais e sociais se modificam e, mesmo que não sejam tão fáceis de serem implementados (sair da zona de conforto...), há movimentos pioneiros que se dispõem a experimentar novas formas de agir e se relacionar com a sociedade. Novas formas de entender o que é ser bem-sucedido ou ser grande podem levar à revisão de dogmas e valores relacionados ao modelo atual da economia.


Rever a velocidade da produção e entender que a economia do crescimento e da maximização dos ganhos não é necessariamente a única forma de estar presente no mercado. Compreender que o bom desempenho de uma empresa não deveria necessariamente almejar um aumento quantitativo (da produção, da escala e do tamanho da empresa), mas um aumento qualitativo (da eficiência, das competências e do aprimoramento das habilidades técnicas, criativas, sociais e pessoais). O valor de ser melhor ou ser grande passa a ter uma relação qualitativa, não mais só quantitativa.


Crescer com qualidade (e de forma legítima) é uma forma de manter os propósitos vigentes e manter íntegros os valores conquistados com tanto esforço e empenho, sem ter que recorrer futuramente a siglas e outros meios que criem narrativas e qualificações que maquiem as verdadeiras formas de nossas ações.






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