Slow Fashion: uma alternativa sustentável à moda globalizada

Atualizado: Mai 8


O Slow Fashion foi inspirado em outra área de atuação, a da alimentação: o Slow Food nasceu na Itália Central como uma reação à invasão do fast food.


“É inútil forçar os ritmos da vida. A arte de viver consiste em aprender a dar o devido tempo às coisas”, dizia Carlo Petrini, idealizador do Slow Food.


O Slow Food foi o primogênito do Slow Movement, que defende uma mudança cultural no sentido de diminuir o ritmo da vida contemporânea. Tudo começou com o protesto de Carlo Petrini contra a abertura de um restaurante McDonald´s na Piazza di Spagna, em Roma, no ano de 1986.


Petrini entendia o movimento do Slow Food como uma forma de preservar os valores culturais daquela região, em particular a culinária tradicional e regional, além dos vinhos das províncias locais. O movimento incentivava o cultivo de plantas, sementes e a criação de animais característicos do ecossistema local como um caminho para fortalecer a cultura comunitária de uma região, suas tradições e costumes. Uma forma de despertar olhares criativos e atentos às heranças geracionais recebidas. Além disso, trazia a possibilidade de geração de renda para várias famílias envolvidas e conectadas a uma realidade de mundo que almeja uma melhor qualidade de vida, uma forma de viver mais sustentável.


A partir da disseminação desse pensamento, o epíteto "slow" (lento) foi posteriormente aplicado a uma variedade de atividades e aspectos da cultura. Esses princípios originados inevitavelmente sensibilizaram e geraram repercussão para que novos atores tivessem suas próprias ideias de como contribuir para um movimento sustentável, rentável e com forte carga de satisfação pessoal em qualquer área de atuação, inclusive a moda.


O Slow Fashion ou Moda Lenta é orientado por abordagens que se contrapõem ao sistema que atualmente domina o mercado, conhecido como fast fashion. Entre algumas de suas práticas, o Slow Fashion propõe:


> diversidade da produção em oposição à padronização da moda;

> oposição à produção em massa;

> agir de forma global-local em oposição à globalização;

> autoconsciência em oposição à imagem;

> a simbiose em oposição ao parasitismo;

> atemporalidade de estilo;

> confecção e manutenção para um ciclo de vida longo, ao invés da novidade constante;

> preço que incorpora os custos sociais e ecológicos em oposição ao custo baseado em mão de obra e materiais;

> sistemas de produção transparentes e com menos intermediação entre produtor e consumidor;

> fortalecer o tecido social e valorizar o território em oposição à fragilização do tecido social;

> produção em pequena e média escala em oposição à grande escala;

> utilização de técnicas tradicionais de confecção e de materiais disponíveis na região e mercados locais;

> valorização do artesanato;

> ser sustentável em oposição ao insustentável.


Ao analisar seus objetivos, nota-se algo como uma volta às práticas de algumas décadas atrás, num momento anterior à obsessiva rapidez imposta pelos atuais modelos de negócio. Ao mesmo tempo que olha para trás, enxerga à sua frente possibilidades que as restrições geralmente despertam nas mentes criativas.


É um conceito disruptivo, que busca um pluralismo de possibilidades de ações estruturas com variedade de recursos e experimentações que diferem principalmente em relação aos sistemas de produção em grande escala e ao estilo global que gera uma padronização de soluções e da própria moda.


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